Economia

Polo Industrial de Manaus resiste à crise e mantém 600 mil empregos no Amazonas

Polo Industrial de Manaus resiste à crise e mantém 600 mil empregos no Amazonas

O Polo Industrial de Manaus (PIM) completou 58 anos em 2025 e continua sendo o principal motor econômico do Amazonas. Mas os desafios logísticos e a concorrência de outros países seguem pressionando o modelo.

O Polo Industrial de Manaus (PIM) é uma das experiências mais singulares do desenvolvimento industrial brasileiro. Criado em 1967 como Zona Franca de Manaus, o modelo foi pensado para integrar economicamente a região amazônica ao resto do país, usando incentivos fiscais para atrair indústrias para um dos locais mais remotos do mundo.

Cinquenta e oito anos depois, o PIM emprega diretamente 600 mil pessoas e responde por 8% do PIB do Amazonas. As principais indústrias instaladas são de eletroeletrônicos, motocicletas, bebidas e bens de informática. Empresas como Samsung, Honda, Philips e Semp têm fábricas no polo.

"O PIM é o que mantém o Amazonas funcionando", diz o economista Augusto Menezes, professor da UFAM. "Sem ele, a pressão sobre a floresta seria muito maior, porque as pessoas precisariam de outras formas de renda."

Mas o modelo enfrenta desafios crescentes. A logística é o principal: tudo que entra e sai de Manaus precisa percorrer centenas de quilômetros por rio ou ser transportado por avião. O custo logístico representa em média 15% do valor dos produtos fabricados no polo — bem acima da média nacional de 8%.

A concorrência asiática também pressiona. Produtos eletrônicos fabricados na China chegam ao Brasil com preços que, mesmo com os incentivos fiscais do PIM, são difíceis de competir. A indústria de eletroeletrônicos do polo perdeu 12% de participação de mercado nos últimos cinco anos.

A Suframa, autarquia federal que administra a Zona Franca, está trabalhando em um plano de modernização que inclui atração de indústrias de biotecnologia e bioeconomia — setores que poderiam usar a biodiversidade amazônica como vantagem competitiva. "O futuro do PIM não é mais fazer televisão. É fazer produtos que só a Amazônia pode fazer", diz o superintendente da Suframa, Carlos Henrique.

Raimundo Costa
Raimundo Costa
Editor Regional

Jornalista manauara com 22 anos de experiência em cobertura da região Norte. Especializado em meio ambiente, povos indígenas e desenvolvimento sustentável na Amazônia.